“Lembrei-me de uma manhã em que encontrei um casulo preso à casca de uma árvore, no momento em que a borboleta rompia o invólucro e se preparava para sair. Esperei algum tempo, mas estava com pressa e ele demorava muito. Enervado, debrucei-me e comecei a esquenta-lo com meu sopro. Eu o esquentava, impaciente, e o milagre começou a desfiar diante de mim em ritmo mais rápido que o natural. Abriu-se o invólucro e a borboleta saiu se arrastando. Não esquecerei jamais o horror que tive então: suas asas ainda não se haviam formado, e com todo o seu pequeno corpo trêmulo ela se esforçava para desdobra-las. Debruçado sobre ela, eu ajudava com meu sopro. Em vão. Um paciente amadurecimento era necessário e o crescimento das asas, devia se fazer lentamente ao sol; agora era muito tarde. Meu sopro havia obrigado a borboleta a se mostrar, toda enrugada, antes do tempo. Ela se agitou, desesperada, e alguns segundos depois morreu na palma da minha mão.
Creio que esse pequeno cadáver é o maior peso de minha consciência. Pois compreendo atualmente, é um pecado mortal violar as leis da natureza. Não devemos impacientar, mas seguir o ritmo eterno.
Sentei-me sobre um rochedo para assimilar com toda tranqüilidade esse pensamento do ANO NOVO. Ah! Se essa borboleta pudesse esvoaçar sempre diante de mi, e me mostrar o caminho”.
(KALANTIZAKIS, NIKOS: ZORBA, O GREGO. PAGNS. 117 E 118).
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
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Um comentário:
Oiiii^^
Seu Blog ta mto showww
>xD
Continua assim ^^
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